sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Obrigada por esse lindo presente .. AMO ASSIM GIGANTE com aromas de flores, com a poesia em Tom maior . Pra sempre no meu coração ...... - Relato de Parto - Nascimento do Tom .. Emocionante

Obrigada por esse lindo presente ..  
AMO ASSIM GIGANTE  com aromas de flores, com a poesia em Tom maior .

Pra sempre no meu coração ...... 

Obrigada  querida  Camila, Sérgio e Tom, pela honra em compartilhar comigo um momento tão sagrado, tão especial, tão ímpar, tão intenso e transformador, por tudo que me ensinaram nesses dias ... por todos nossos momentos juntos, pelos risos, caminhadas, cine no Domingo, as emoções divididas, os bons papos, a energia linda de vocês e o êxtase da chegada do Tom ..... 
Presenciei a construção de uma família, fiz parte de muitos nascimentos , e digo " Renasci junto a vocês " .. 






O nascimento do Tom



A vontade de parir o meu primeiro filho de forma normal, como um mamífero faz, veio de forma intensa depois do curso de gestante que fiz num hospital Amigo da Criança, em Londrina. Ali eu entendi a importância do parto normal, todos os benefícios envolvidos e a dinâmica da indústria da cesária e tudo de equivocado que existe em volta dessa prática tão comum no Brasil.



Definido isto, me indicaram uma clínica em Bauru que possuía equipe que realizava partos dentro da filosofia humanizada. Marquei uma consulta com um dos médico de lá, o Dr. Alcântara. Tive afinidade com ele imediata. Como é difícil encontrar um médico humilde, simple. Gente como a gente!
A doula foi indicada, a Andrea, que desde o começo nos recebeu com muito carinho. Eu precisava disso para o parto: carinho, já que não sabia o que me esperava - e era exatamente isso que me atraía.

Eu me mudei para Bauru na 36a. Semana, na expectativa de entrar em trabalho de parto a qualquer hora. O tempo passou, até que na 41a. semana tivemos que definir um limite para o meu trabalho de parto: a 42a. Semana, ou dia 17 de outubro. Até lá passamos a monitorar quase que diariamente o Tom com o cardiotoco na maternidade.

Nestes dias a doula Andrea tinha planejado uma viagem, então a Mara estava em seu lugar. A Mara mora em Cunha, e é uma anjo de pessoa. Nos dias que antecederam o parto nos conhecemos bem, e tivemos muita afinidade… Uma nova amiga que ajudou a proporcionar e participou dos momentos mais emocionantes da minha vida.

Bom, dia 17 demos entrada na maternidade às 10h eu, meu marido Sérgio e a Mara. Ao meio-dia iniciamos a indução do trabalho de parto: foi colocado o primeiro misoprostol. Aguardamos as 6h de ação do remédio caminhando bastante pelo hospital, fazendo exercícios na bola e papeando. Às 18h foi colocado o segundo miso. Fui caminhar com meu marido, depois fiz um pouco de exercício na bola. Às 19h20, ao fazer xixi me dei conta que a bolsa tinha estourado. Foi um momento muito gostoso, pois haviam grandes chances de entrar em trabalho de parto. Foi o que aconteceu na sequência: contrações já com 3 minutos de intervalo. A dor já veio aguda, tive que vomitar. Fiquei um tanto perdida, até entender que já estava sentindo as tais dores do parto. Os curtos intervalos eram um êxtase,  eu curtia cada segundo. Mas o que parecia impossível aconteceu: as dores das contrações aumentaram. Eu encontrei uma posição em que parecia que eu não sentia tanta dor nas contrações: apoiada na cama, enquanto a doula massageava a minha lombar e contava 30 segundos de modo regressivo. Aquilo foi fundamental para mim, pois no n. 15 eu sabia que faltava só metade do tempo daquela contração, e assim arrumava força para suportar mais um pouco. Algumas vezes fomos para o chuveiro, para banhar a lombar com água quente.

Após 2 horas eu realmente entrei num tipo de transe a caminho da loucura. Os intervalos já não davam mais para eu me recuperar da exaustão da dor. Eu dormia naqueles poucos minutos, independente da posição que eu estava  Já não escutava direito e minhas pernas começaram a perder a força. Enfermeiras vieram para auscultar o Tom e tirar a minha pressão, mas eu não tinha condições de ficar muito tempo parada para elas fazerem o serviço delas. Estava já em alfa. Mesmo. Foi quando vi que não aguentaria muito mais então pedi analgesia. Porém a dilatação precisa estar bem adiantada para a analgesia, então demorou para eu conseguir tomar a tão sonhada anestesia. No final das contas não valeu à pena, pois tive de ficar um bom tempo numa maca tendo as contrações ali. Foi desesperador. Bom, na sala de anestesia, todos os profissionais bem pragmáticos como um profissional normal da saúde, e eu ali urrando de dor. De repente o Dr. Alcântara pegou na minha mão, pois viu o meu grau de dor naquela posição infeliz que era estar deitada. Caraca foi difícil. Na hora da injeção nas costas eu não podia me mexer, mas veio a contração. Ai como foi duro aquilo tudo. A dose que me deram de anestesia foi baixa, do contrário a final do parto seria mais longo (isso eu fui saber depois). Sei que saí da sala de anestesia ainda sofrendo com as contrações, fato que me deixou BEM chateada com o anestesista.

Dali, ainda na maldita maca eu fui para a sala de parto humanizado, já para a expulsão do Tom… Uma pena não poder entrar na banheira por causa da sonda nas costas por causa da anestesia… Lamentei muito não ter ido antes para aquela sala.

Bom, no banquinho com o Sérgio atrás de mim continuei o trabalho de parto, mas com as contrações mais curtas, por causa da anestesia. Agora a novidade: além de sentir a dor da contração, tinha que fazer força, como se tivesse fazendo cocô. Quando o Alcântara me disse aquilo eu achei que ele tivesse brincando… De onde eu tiraria energia para isso, meu Jesus. Bom, sei que a força veio não de de onde e eu comecei a fazer força… Fiquei uma hora nisso, e comecei a pensar que o bebê nunca sairia. Foi quando o Alcântara colocou um pouco de ocitocina junto com o meu soro.

Mas uma hora o Alcântara me examinou e disse que ele estava vindo e disse para eu colocar o dedo no meu canal vaginal, foi quando senti a cabeça do Tom. O Alcântara chamou o pediatra e começou a desenrolar uns panos com instrumentos de médico que eu não sei do que se trata. Sei que eu gritei: "vem Alcântaraaaaa", pois tava com medo do Tom cair no chão hahahaha. Bom, na próxima contração eu fiz mais força, o Alcântara apertou não sei onde na região perinial, e às 2h06 o Tom nasceu. Todo melecadinho… O Sérgio cortou o cordão umbilical um tempinho depois. Ele veio para o nosso colo. Eu sempre achei que fosse chorar sem parar no momento em que o Tom nascesse, mas não chorei. Uma mistura de sensações me tomou ali… O alívio de ter acabado as contrações me inundou de êxtase. E aquele bebê ali… Ahhhh foi demais. Foi maravilhoso, não imagino um dia passar por uma sensação tão intensa e marcante. Tudo que passei, apesar da intensidade, valeu cada dor que passei… É muito emocionante parir um filho.

A placenta não saiu sozinha no momento do parto, saiu depois de alguma técnica do Alcântara. Sei que depois que nasceu a placenta eu desmaiei pela perda de sangue. Isso aconteceu de novo no quarto. Mas acho que é normal.

Bom, sei que o Tom ficou logo de cara conosco no quarto, eu dei mamá para ele e desmaiei. O Sérgio varou a noite cuidando dele. Dia seguinte eu estava debilitada, mas ao final do dia 18 nós tivemos alta e fomos para casa. Bem estranho e legal sair duas pessoas de casa e voltar três.

Nisso tudo, é importante ressaltar a importância fundamental de um médico que tive empatia disposto a realmente fazer um parto normal. E a doula. Sem a Mara eu não teria conseguido. Foi um apoio muito importante, fundamental. Uma pessoa especial, uma fada!